O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esfriou as esperanças de seus parceiros neste domingo (25) na cúpula do G7 na França, descartando qualquer desescalada na guerra comercial com a China e negando qualquer mensagem comum dos sete ao Irã.

Desde a abertura da cúpula no sábado, em Biarritz, à beira do Atlântico, o imprevisível inquilino da Casa Branca pareceu otimista. "Nós tivemos reuniões muito boas, os líderes se entendem muito bem", tuitou esta manhã.

Donald Trump chegou a dar a impressão de ter dúvidas sobre a disputa com Pequim, que assusta seus parceiros, preocupados com o impacto no crescimento global.

"Sua resposta foi muito mal interpretada", disse posteriormente sua porta-voz Stephanie Grisham. O presidente Trump "lamenta apenas não ter aumentado ainda mais as tarifas", disse ironicamente.

Sobre a questão nuclear iraniana, o presidente americana negou qualquer acordo dos sete para enviar uma mensagem comum a Teerã, contradizendo neste ponto o presidente francês Emmanuel Macron. "Eu não discuti isso", declarou a repórteres.

O presidente francês, que tenta aproximar as posições de Washington e Teerã, finalmente afirmou que todos "continuariam a agir, cada um em seu papel", negando qualquer mandato para falar em nome do G7 com Teerã.

A situaçao pode ainda mudar, uma vez que Teerã e a presidência francesa acabam de confirmar a chegada em Biarriz do chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif.

Zarif "chegou em Biarritz, onde acontece o G7, para continuar as discussões a respeito das recentes medidas entre os presidentes do Irã e da França", informou um porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Mussavi.

Por sua vez, o palácio do Eliseu informou que Zarif viajou para discutir com o seu colega francês Jean-Yves Le Drian, explicando que "nenhum encontro com os americanos está previsto neste momento".

- O homem da situação -

Sobre outro assunto espinhoso, o Brexit, Donald Trump demonstrou seu apoio ao novo primeiro-ministro britânico Boris Johnson em sua disputa contra os europeus.

"É o homem certo para fazer o trabalho", disse ele em seu primeiro encontro, prometendo-lhe um "grande acordo comercial" assim que Londres deixar a União Europeia (UE).

Com um caloroso abraço, Boris Johnson também afirmou que os dois países concluirão um "fantástico acordo comercial uma vez que os obstáculos sejam removidos".

Sobre a urgência do momento, os incêndios florestais que assolam a Amazônia, os países do G7 estão de acordo em "ajudar o mais rápido possível os países atingidos", segundo afirmou Emmanuel Macron.

"Estamos trabalhando em um mecanismo de mobilização internacional para ajudar esses países com mais eficiência", disse o chefe de Estado.

Os sete líderes também concordaram em "fortalecer o diálogo e a coordenação" na atual crise com a Rússia, mas disseram que é "muito cedo" para reintegrar o país ao G8, segundo uma fonte diplomática.

A Rússia foi excluída do G8 em 2014 após a invasão da Crimeia. Mas Donald Trump é bastante favorável ao seu retorno, ao contrário de seus pares.

Macron, Trump e Johnson também debateram neste domingo com Angela Merkel, Shinzo Abe, Giuseppe Conte e Justin Trudeau sobre o estado da economia global, que mostra sinais preocupantes na Alemanha, China e Estados Unidos, e maneiras de relançar seu crescimento.

A algumas dezenas de quilômetros do local onde os líderes se reúnem, os opositores do G7 não pretendem descansar depois de realizar uma contra-cúpula e uma manifestação no final da semana.

Centenas de manifestantes participaram neste domingo em Bayonne de uma "marcha dos retratos" de Emmanuel Macron, chamando-o de "presidente das repúblicas poluidoras".

Enquanto isso, lideradas por Brigitte Macron, as "primeiras-damas", incluindo Melania Trump, foram descobrir o País Basco, especialmente o vilarejo de Espelette, famoso por sua pimenta.

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