Dezenas de milhares de 'coletes amarelos' manifestaram-se neste sábado (12), em Paris, e outras cidades francesas contra a política do governo de Emmanuel Macron, em um novo dia de mobilização nacional que transcorreu em calma, com exceção de algumas brigas, em meio a um forte dispositivo policial.

Oitenta e quatro mil pessoas foram às ruas protestar em toda a França, em comparação com as 50.000 da semana passada, um claro êxito para a mobilização popular dos "coletes amarelos" contra o governo de Emmanuel Macron, anunciou o ministério do Interior.

Em Paris, 8.000 pessoas foram às ruas, explicou o ministro do Interior, Christophe Castaner, em uma declaração transmitida à AFP, na qual destacou que não foram registrados "incidentes graves".

Os protestos ocorrem a três dias de um "debate nacional" convocado por Macron, que pode ser decisivo para o tenso clima político francês.

Egressos das classes populares e médias francesas, irritadas com os impostos, as baixas expectativas econômicas e uma política social que consideram humilhante, os "coletes amarelos" mostraram desta vez maior disciplina, após os graves incidentes registrados no sábado passado.

Um serviço de ordem dos próprios manifestantes, usando braceletes brancos, conseguiu impor mais calma.

Em Paris, epicentro dos protestos há nove sábados seguidos, os manifestantes se envolveram em algumas brigas no Arco do Triunfo.

"A responsabilidade venceu a tentação do confronto", comemorou o ministro do Interior.

Mas os 80.000 policiais mobilizados em todo o território também contribuíram para sufocar os protestos mais violentos.

No total, foram detidas pelas forças de ordem 244 pessoas em todo o país. Alguns jornalistas foram atacados, denunciou o ministro, que advertiu que "a liberdade de informar é inalienável".

- 'Recuperamos a força' -

"Há uma semana Recuperamos a força e vamos continuar", afirmou Thibault Devienne, um 'colete amarelo' de 23 anos.

Os manifestantes marcharam repetindo "Macron, demissão!" do ministério das Finanças até o Arco do Triunfo, em um dos extremos da célebre Champs Elysées, onde forças de segurança estabeleceram um impressionante perímetro de segurança com ruas e várias estações do metrô fechadas.

"Nos encontramos em frente ao ministério para pedir ao ministro e todos os seus amigos do governo mais poder aquisitivo", explicou à AFP Gérard, um trabalhador informal de 44 anos, que viajou da cidade de Dijon (leste).

Depois de uma manhã calma, incidentes foram registrados à tarde. Manifestantes mais exaltados atiraram pedras e sinalizadores na direção dos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água.

Pelo menos dois manifestantes, um dos quais sofreu um ferimento na cabeça, foram evacuados por socorristas, constatou um jornalista da AFP. Na capital foram detidas 149 pessoas.

- 'Migalhas' -

Milhares de manifestantes também marcharam em outras cidades da França, como Bourges, no centro do país, onde mais de 6.000 "coletes amarelos" se reuniram.

"Queremos demonstrar nossa unidade no coração da França", explicou Priscillia Ludosky, que participava desta mobilização.

Dezoito pessoas foram detidas após confrontos entre manifestantes e policiais em uma rua comercial da cidade.

"Esperamos medidas concretas, os anúncios de Macron são migalhas pagas pelos contribuintes. Pede para que façamos esforços, mas são eles que devem fazê-los. Há tantos abusos e privilégios entre os políticos", denunciou Carole Rigobert, uma mulher de 59 anos, acompanhada do marido.

O presidente Emmanuel Macron desatou horas antes uma nova polêmica, ao declarar que "os problemas pelos quais nossa sociedade atravessa se devem, às vezes, a que muitos dos nossos concidadãos pensam que podemos conseguir" algo "sem esforço".

Mais de 5.000 pessoas também foram às ruas em Bordeaux (sudoeste), em uma mobilização ligeiramente superior à da semana passada.

Outras milhares também foram às ruas de Toulouse, Nîmes, Estrasburgo, Lille e Nantes. E 200 pessoas se manifestaram, sob fortes medidas de segurança, perto da casa de veraneio dos Macron, na cidade de Touquet (norte).

- Protestos em Londres e Bélgica -

O movimento dos "coletes amarelos" começou como uma mobilização contra o aumento no preço dos combustíveis, mas derivou em uma revolta contra as políticas do governo Macron.

Para tentar acalmar os ânimos, o presidente anunciou uma série de medidas, avaliadas em 10 bilhões de euros, para elevar o poder aquisitivo e reduzir a pressão fiscal, que inclui o aumento do salário mínimo em 100 euros. Mas isto não impediu a continuidade da mobilização.

Desde o início das manifestações, dez pessoas morreram em acidentes relacionados com os protestos e mais de 1.600 ficaram feridas.

Centenas de pessoas, muitas vestindo coletes amarelos, também marcharam neste sábado em Londres contra a austeridade.

Na Bélgica, um homem que participava de um piquete em uma rodovia morreu na sexta-feira à noite atropelado por um caminhão.

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